SNAPDRAGON X2 ELITE: IA NO PC
IA pesada rodando direto no seu PC, sem depender tanto da nuvem. O Snapdragon X2 Elite chega com NPU de até 85 TOPS, suporte a mais de 450 modelos de IA e capac. Crédito: Thayna Cruz/TecMundo/Estadão
O mercado de computadores na década de 1980 ainda estava no início da popularização, mas marcas como Apple e IBM já reinavam como referências. Porém, assim como acontece atualmente em outras indústrias, nomes de menor porte faziam barulho com projetos criativos.
Um desses casos foi a Compaq, pioneira de computadores portáteis e que consagrou nomes como a linha Presario, presente inclusive no imagino do público brasileiro.
Porém, depois de passar anos como um dos nomes mais lembrados na indústria, a marca passou por várias mudanças e hoje se encontra em uma situação bem diferente. A seguir, saiba o que aconteceu com ela e por que ela foi tão relevante.
A empresa que desafiou uma gigante
A trajetória da Compaq nasce do sonho empreendedor de três veteranos na indústria: Rod Canion, Jim Harris e Bill Murto, ex-funcionários da Texas Instruments. A companhoa foi fundada em fevereiro de 1982 em Houston, no Texas.
Com o nome inspirado no lema “Compatibilidade e Qualidade”, a empresa sonhava em disputar mercado com a IBM. Na época, ela era a referência do setor de computação doméstica e corporativa, com o IBM PC recém-lançado e muito bem sucedido.
O Compaq Portable, estreia bombástica da fabricante no mercado. Foto: Rama & Musée Bolo/Wikimedia Commons
Ela conseguiu esse feito já com o primeiro produto, o Compaq Portable. Ele era um computador menor e mais fácil de ser transportado do que o rival, mas era “compatível” com o PC da IBM — forma técnica de dizer que o aparelho era um clone feito via engenharia reversa.
Ele foi anunciado em novembro de 1982 e vendido em março do ano seguinte, inaugurando um mercado de PCs que estavam ficando cada vez menores.
Ainda na década de 1980, a empresa precisava continuar a boa fase e lançou outros modelos sem tanto alarde, mas ainda com qualidade. Alguns destaques desse período incluem:
- o Deskpro, um desktop de visual mais tradicional para uso em empresas;
- o Deskpro 386, primeiro computador no mercado a usar o novo processador Intel 386;
- o Portable III, com uma ousada tela de plasma;
- a linha de notebooks portáteis para a época Compaq LTE.
Ela ainda liderou o consórcio criador do padrão de barramento de computador de 32 bits Extended Industry Standard Architecture (EISA), fechando a década atrás só de IBM e Apple em vendas de computadores.
Expansão e crise
Com o tempo, entretanto, a Compaq passou a apresentar altos e baixos no setor administrativo, com muitas trocas de comando e estratégia.
Entre as boas notícias, ela lançou em 1993 a família Presario de computadores domésticos, finalmente chegando ao mercado consumidor massivo. O nome virou a família de aparelhos mais duradoura da Compaq, inclusive no Brasil.
A linha Presario foi a mais popular da fabricante e fez o nome durar gerações. Foto: Rderijcke/Wikimedia Commons
Outro produto de destaque foi o ProLiant, servidores baseados em arquitetura x86. Ela também foi às compras e adquiriu em 1997 a Tandem Computers, famosa no mercado empresarial e, no ano seguinte, a Digital Equipment Corporation (DEC), maior fusão do mercado de tecnologia até então.
A última compra resultou ainda na família iPAQ de assistentes pessoais digitais (PDAs), que teve algum destaque no segmento dominado pela Palm. Porém, no campo de PCs, a ultrapassagem da Dell em vendas marcou um ponto de virada que indicou o fim da era de ouro da marca.
No Brasil, a companhia atingiu o ponto alto da fama no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mantendo uma fábrica por anos em Jaguariúna, São Paulo.
Por onde anda a Compaq no Brasil e no mundo?
A Compaq realmente mudou o mercado, mas não conseguiu acompanhar rivais que faziam PCs cada vez melhores e mais baratos. Como consequência dessa dificuldade de adaptação, a situação atual dela no mercado é bem diferente do início explosivo.
Em 2002, a Compaq foi adquirida pela Hewlett Packard (HP), com a marca passando a perder força dentro do conglomerado e sendo restrita primeiro a modelos corporativos e depois só para aparelhos de baixo custo e entrada.
HP comprou a Compaq para fortalecer presença no setor de PCs. Foto: mino21/Adobe Sto
Cada vez menos valorizada, a produção de aparelhos Compaq foi descontinuada em vários países, incluindo nos Estados Unidos, em 2013. A partir deste ponto, a HP deixa de usar o nome, que passa a ser licenciado para outras marcas interessadas em vender produtos com uma marca histórica.
A própria HP passou por mudanças por anos depois, resultando em duas divisões bem diferentes: a HP Inc. para os negócios de PCs e impressoras, incluindo a Compaq, e a Hewlett Packard Enterprise (HPE), responsável por servidores, redes, armazenamento e serviços.
Os licenciamentos da Compaq pela HP Inc. foram fechados regionalmente, com empresas diferentes adquirindo os direitos de uso da marca em países como México, Índia e Brasil. Em outros mercados, a companhia tem presença pouco relevante ou inexistente.
Linha Presario foi usada também em notebooks nos dois licenciamentos da marca no Brasil. Foto: Compaq/Divulgação
No segmento nacional, ela teve representação em 2014 da GlobalK, que lança vários computadores com o nome Presario. Já em 2021, o licenciamento muda para a Positivo Tecnologia, interessada no portfólio de notebooks, desktops e tudo-em-um da companhia.
Apesar de lançar aparelhos como o Compaq 5000 Snapdragon e o Presario 450, a Positivo encerrou o licenciamento da marca Compaq no fim de 2024.
O motivo alegado pela empresa foi uma mudança estratégica para “potencializar negócios em outras marcas já existentes”, possivelmente VAIO e Infinix. Há dois anos, portanto, essa antiga gigante dos computadores já não tem mais presença também no mercado brasileiro.
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