Empreendedora transforma desafio da saúde em solução inovadora para prevenir cicatrizes | ASN Minas Gerais

Nullscar na MEDICA Düsseldorf, na Alemanha, em 2025. Crédito: Divulgação

Transformar um desafio real de pacientes e médicos em uma oportunidade de inovação foi o ponto de partida para a criação da Nullscar, empresa de biotecnologia fundada em 2016, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. À frente do negócio, Vânia Diniz uniu sua experiência em gestão empresarial à expertise científica da dermatologista Maria Cristina Mesquita para desenvolver uma solução brasileira, com padrão internacional, voltada à prevenção de cicatrizes inestéticas.

A ideia do negócio surgiu a partir da prática clínica da Dra. Maria Cristina, que via de perto o impacto físico e emocional das cicatrizes hipertróficas, queloides e cicatrizes alargadas, e a ausência de opções de prevenção realmente práticas, confiáveis e acessíveis.

“A maior parte das soluções do mercado atuava depois que a cicatriz já estava formada. Identificamos aí uma lacuna: prevenir, e não apenas tratar. Foi isso que nos levou a criar uma empresa totalmente dedicada ao tema”, destaca Vânia.

Transformar a ideia em um produto exigiu persistência, investimento e um longo processo de pesquisa. “Partimos da base de silicone terapêutico, já reconhecida na literatura para o manejo de cicatrizes, e trabalhamos para torná-la mais eficiente e confortável, enriquecendo-a com bioativos naturais: óleo de rosa mosqueta, óleo de camomila e vitamina E. O resultado é uma fita adesiva terapêutica reutilizável, com durabilidade mínima de 30 dias”, explica a empreendedora.

Na Nullscar, Vânia Diniz é responsável pela gestão administrativa da empresa, enquanto a dra. Maria Cristina Mesquita conduz a frente científica do negócio. Vânia relembra que o produto chegou ao mercado em 2021, mas o caminho foi marcado por desafios. Além do tempo e investimento necessários para desenvolver e validar uma tecnologia em saúde, ela conta que foi preciso educar o mercado, ampliando o conhecimento de médicos e pacientes sobre a importância da prevenção de cicatrizes. Outro grande desafio estava na própria fabricação do produto.

“Sustentar uma empresa de base tecnológica em seus primeiros anos, antes de ganhar escala, é muito desafiador. Além disso, tivemos de construir nossas próprias máquinas de fabricação, pois o produto é inédito, então não existem equipamentos no mercado. Tudo isso só foi possível por meio de parcerias científicas, e com uma equipe muito comprometida”, relembra.

Caminhos para novos mercados

A consolidação da tecnologia também exigiu investimentos em propriedade intelectual e conformidade regulatória. Atualmente, a Nullscar possui patentes na América do Sul, nos Estados Unidos, na Europa e na China, além de marca registrada em 11 países. “Essas conquistas dão segurança a médicos e pacientes, protegem nossa tecnologia e abriram portas para novos mercados”, destaca a CEO.

Em 2024, a empresa deu os primeiros passos rumo à internacionalização, ampliando sua atuação para além das fronteiras brasileiras. “Estreamos nossa participação no mercado internacional na FIME 2024, na Flórida, nos Estados Unidos, e participamos de outras feiras mundiais de tecnologias médicas, na Alemanha e em Dubai. Hoje, comercializamos nosso produto em grandes eventos e congressos, além do e-commerce”, explica Vânia.

Nullscar na MEDICA Düsseldorf, na Alemanha, em 2025. Crédito: Divulgação

A expansão também se reflete nos resultados comerciais. No mercado nacional, a empresa registrou crescimento de 45% nas vendas em 2026, segundo a fundadora. A Nullscar também firmou contratos na América do Sul e na Europa e avança nas negociações para ingressar nos países árabes.

Entre os próximos passos estão a consolidação da distribuição na Alemanha e na Argentina e a ampliação da presença em novos mercados. A empresa também investe no desenvolvimento de novas soluções. “Estamos avançando no projeto NanoMed, que levará nossa tecnologia a uma nova plataforma de dispositivos médicos com nanotecnologia. Queremos que a Nullscar seja referência mundial na prevenção de cicatrizes, a partir de Uberlândia”, revela a empreendedora.

Apoio para crescer

Ao longo de sua trajetória, da fundação à internacionalização, a Nullscar contou com o apoio do Sebrae. Vânia destaca que o acesso a consultorias, capacitações, programas de desenvolvimento e rodadas de negócios foi fundamental para fortalecer a empresa e impulsionar seu crescimento.

“O Sebrae tem sido um grande parceiro na nossa trajetória como empresa e como empresárias. Todo o apoio recebido contribuiu para o amadurecimento do negócio e trouxe avanços concretos para a nossa gestão, nossas vendas e visão estratégica. Com isso, ganhamos mais clareza e segurança para crescer e avançar no mercado internacional”, afirma.

Em 2026, a empresa alcançou mais um grande reconhecimento: a conquista do 3º lugar, na categoria Ciência e Tecnologia, na etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. “Para mim, como mulher e empreendedora, receber esse prêmio é a confirmação de que vale a pena persistir, inovar e acreditar em uma empresa de biotecnologia feita no Brasil. A conquista reforça que é possível aliar resultados empresariais a um negócio com propósito, e nos motiva a seguir crescendo”, destaca.

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