O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinou R$ 46,3 milhões para a criação de uma rede nacional de data centers. Anunciado nesta sexta-feira (6), o projeto pretende conectar centros de processamento de dados espalhados pelo Brasil, com atenção especial a estruturas de pequeno porte e localizadas no interior do país.
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Batizada de Prisma, a iniciativa será desenvolvida pelo Centro Brasileiro de Inovação em Tecnologias da Informação e da Comunicação (CPQD), em Campinas (SP), ao longo de 36 meses. A proposta é utilizar inteligência artificial (IA) para distribuir automaticamente tarefas de processamento entre os centros conectados, considerando a eficiência energética e a capacidade disponível em cada unidade.
Como vai funcionar a rede nacional de data centers
A plataforma deverá permitir que desenvolvedores encaminhem arquivos para processamento sem precisar escolher manualmente qual data center será responsável pela tarefa. O sistema identificará a central com as melhores condições de eficiência energética naquele momento e direcionará o trabalho para ela.
A distribuição será administrada por inteligência artificial, que levará em conta a disponibilidade de capacidade de processamento e conexão das estruturas participantes.
Outro recurso previsto é a possibilidade de transferir operações que já estejam em andamento. Caso outro data center apresente condições mais favoráveis durante o processamento, a plataforma poderá deslocar a tarefa para essa unidade.
Segundo Gustavo Correa Lima, diretor de Tecnologia e Inovação do CPQD, essa capacidade também está relacionada à continuidade das operações. A intenção é reduzir a dependência de uma única central e permitir que o processamento seja mantido mesmo quando houver mudanças nas condições de funcionamento de determinado data center.
Projeto busca fortalecer a soberania digital brasileira
A proposta também pretende ampliar o controle nacional sobre a infraestrutura de processamento e armazenamento de dados. Para isso, a rede poderá reunir servidores de diferentes tipos de organizações instaladas no Brasil.
Além das empresas especializadas em data centers, poderão participar operadoras de telecomunicações, indústrias, provedores de internet e outras companhias que tenham servidores com arquitetura de processamento de borda.
Essa integração é apontada como uma das formas de fortalecer a soberania digital, já que permitirá utilizar estruturas distribuídas dentro do território brasileiro.
Entre os resultados esperados estão a redução do consumo de energia elétrica e da pegada de carbono dos data centers, além da expansão da infraestrutura digital para regiões que atualmente recebem menos investimentos nesse setor.
A iniciativa também pretende aumentar a capacidade de resposta a falhas no fornecimento de energia e a ataques cibernéticos.
Finep será responsável pelos recursos
O financiamento de R$ 46,3 milhões será administrado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A liberação dos recursos foi assinada pela instituição nesta sexta-feira (6). O dinheiro virá do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), cuja iniciativa já recebeu aprovação do Ministério das Comunicações, pasta à qual está subordinado o conselho gestor do fundo.
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De acordo com Joana Meirelles, superintendente da Área de Saúde e Transformação Digital da Finep, a plataforma deverá ser nacional, segura e sustentável.
A expectativa é que a infraestrutura possa atender setores considerados estratégicos, como saúde, defesa, segurança pública, educação e telecomunicações, apoiando a transformação digital dessas áreas.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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