Sam Altman diz que RAM deveria ficar em data centers, não nos PCs

Para o executivo, concentrar esses recursos em data centers permitiria aproveitar melhor a capacidade disponível - Imagem: Antonello Marangi/Shutterstock

O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que manter grandes quantidades de memória RAM em computadores pessoais é um desperdício diante da atual escassez global do componente. Para o executivo, concentrar esses recursos em data centers permitiria aproveitar melhor a capacidade disponível.

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A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast Cheeky Pint, em conversa sobre os gargalos nas cadeias de suprimentos de tecnologia. Altman criticou especialmente a ideia de que modelos de inteligência artificial (IA) de código aberto, executados diretamente nos computadores dos usuários, poderiam reduzir a necessidade de grandes centros de processamento.

Segundo ele, muitas pessoas acreditam que a possibilidade de rodar modelos localmente resolveria parte da demanda por infraestrutura de IA. O executivo, porém, argumenta que essa estratégia não representa necessariamente a melhor forma de distribuir um recurso que está em falta.

“Do ponto de vista da alocação global, é realmente péssimo que todo mundo tenha uma parte da oferta limitada de DRAM do mundo parada no próprio computador, sendo utilizada apenas 5% do tempo”, afirmou Altman.

Na avaliação do CEO, a memória disponível deveria ser aproveitada com o máximo de eficiência possível. “Você quer a utilização máxima na nuvem se está tentando lidar com esse ambiente de oferta extremamente restrita”, acrescentou.

Segundo Altman, muitas pessoas acreditam que a possibilidade de rodar modelos localmente resolveria parte da demanda por infraestrutura de IA – Imagem: FotoField/Shutterstock

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Data centers pressionam oferta de memória

  • A declaração ocorre em momento de forte disputa por componentes utilizados em infraestruturas de IA;
  • Fabricantes, como Samsung e SK Hynix, firmaram acordos de longo prazo com operadoras de serviços em nuvem e projetos, como o Stargate, iniciativa da OpenAI;
  • Esses contratos reservaram parcela significativa da produção mundial de memória RAM para os próximos anos. Com grandes empresas dispostas a desembolsar bilhões de dólares pelos chips, a disponibilidade de componentes para outros segmentos do mercado fica pressionada;
  • O impacto também chega aos consumidores. A disputa por memória contribui para o encarecimento de produtos eletrônicos, incluindo notebooks, smartphones e outros dispositivos.


Declaração reacende debate sobre IA local

A defesa de Altman contrasta com o interesse de usuários e desenvolvedores em executar modelos de IA diretamente em computadores pessoais. Essa alternativa pode reduzir a dependência de serviços hospedados na nuvem e permitir que determinadas tarefas sejam realizadas sem recorrer continuamente à infraestrutura de grandes empresas.

O argumento do executivo, por outro lado, parte da ideia de que a memória instalada em data centers pode ser utilizada de maneira mais intensa, enquanto computadores pessoais permanecem ligados a maior parte do tempo sem aproveitar toda a capacidade disponível.

A discussão expõe um conflito entre duas formas de distribuir os recursos computacionais: manter capacidade de processamento nas mãos dos usuários ou concentrá-la em grandes infraestruturas compartilhadas.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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